Percurso 1: De
Tróia à Carrasqueira
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Começa-se de barco em Setúbal e parte-se à descoberta de uma
bonita península com dunas e pinhais. Pelo meio encontram-se
cegonhas e até há uma vila de pescadores de rio.
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N'Dalo Rocha - Rotas & Destinos
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2002-04-02
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Torres à vista
No porto de embarque de Setúbal, espera-se pelo ferry para Tróia
e enquanto se está na fila de trânsito, não se assuste se alguém
lhe tentar vender malas de ferramentas, telemóveis ou outro
adereços. Faz parte do folclore local. Finalmente, entra-se com
o carro no barco e se não houver muito vento, é do convés que se
aprecia a vista, sente-se a brisa marinha, ouvem-se as gaivotas
que nos fazem voos quase razantes, e com sorte, também se vêem
ruazes, "primos" dos golfinhos que fazem corridas na água.
Durante os 15 minutos que dura a viagem, observa-se bem a baía
de Setúbal, os gigantescos porta contentores e claro, a
magnífica serra da Arrábida. Tróia está à vista, mesmo em
frente, ainda que não fosse pelas enormes torres de betão, que
são tudo menos discretas.
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Tróia e dunas
Tróia em si não é particularmente bonita, pois trata-se
essencialmente de um enorme complexo turístico, com vários
prédios altos onde às vezes se organizam congressos. Porém, há
um edifício em betão que se destaca entre os outros por nunca
ter sido acabado, já lá vão mais de 20 anos. Enfim, coisas do
progresso.
Continuando viagem, vemo-nos rodeados de dunas de ambos os lados
da estrada. À esquerda, escondem o estuário do Sado e à direita,
protegem-nos do Atlântico. Há alguns pinheiros e arbustos, mas
coisa pouca. Durante meia dúzia de quilómetros é assim, até
encontrarmos as ruínas romanas de Tróia, que infelizmente estão
em fase de remodelação, ainda que reabram já nesta Primavera.
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Comporta
Prosseguindo marcha, ainda antes de chegar a Comporta, do lado
do estuário pequenas lagoas com mantos de arbustos secos por
entre bancos de areia que se elevam perto da margem.
Prossegue-se viagem até Comporta. A primeira imagem que temos é
que se trata de uma zona lacustre, tal a quantidade de água que
rodeia a vila nos campos de arroz, lembrando mais algumas
aldeias da lezíria ribatejana, do que uma aldeia no Alentejo, e
ainda que tenha casas brancas de barras azuis, continua a ser
uma paisagem invulgar na província, mas se calhar, é por isso
que o passeio é bonito.
E para além do obvio que se encontra em qualquer aldeia,
Comporta conta com um fenómeno pouco comum, o exagerado número
de cegonhas. Qualquer chaminé ou tecto tem um ninho, e nesta
altura do ano, pelo menos um casal de crias habita neles,
esperando ansiosamente que os seus progenitores lhe matem a
fome. Se calhar estes bebés também vieram de Paris, mas por
agora, resolveram fixar residência por cá.
Sem ser preciso muita paciência ou sorte, é fácil ver cegonhas
ou fotografar esta ave tão rara de avistar numa cidade grande.
Para os locais, não há nada de extraordinário, até porque estão
acostumados a este espectáculo todos os anos.
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Carrasqueira
É invulgar encontrar um lugar assim, onde os habitantes repartem
a labuta do campo com a pesca no estuário do rio. Aliás,
Carrasqueira tornou-se precisamente famosa pelos seus polvos,
que são pescados pelos seus habitantes. Este é um petisco muito
apreciado, e merece a atenção de uma almoçarada entre amigos.
O porto palafitico é o verdadeiro ex-líbris da aldeia. Com cerca
de duas dezenas de pequenas embarcações é caricato mover-se
sobre as passadeiras de madeira assentes em estacas que se
prolongam ao longo da doca. Quando a maré baixa, o rio também, e
não há pesca para ninguém porque o porto simplesmente seca.
Deixa de haver água, para se encontrar apenas lodo no cais, ou
seja doca seca.
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Murta e Pinhais
Deixando a Carrasqueira para trás, continua-se o passeio em
direcção a Murta. A estrada, vai acompanhado um extenso pinhal
plantado sob a areia da praia. E se decidir parar, só para tirar
fotografias, tenha cuidado com as bermas e não se esqueça que se
trata de areia. Se quando voltar ao carro, estiver atolado, não
desespere. Pode ser que oiça uma voz do estilo "Ò camarada,
precisa de ajuda?". Trata-se apenas de uma furgoneta de
trabalhadores camarários que passou e decidiu ajudar. No
Alentejo há gente simpática.
Chega-se a Murta que não é mais que outro aglomerado de casas
erguidas ao longo de um vasto sapal. Quando lá for, não pode
deixar de ver o açude, usado essencialmente para a agricultura,
e aproveite para matar a sede na pequena tasca, onde dará ânimo
à alma.
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