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A maioria das actividades tradicionais gira em
torno dos recursos que o estuário oferece.
Actualmente, a pesca, a aquacultura e a orizicultura
dominam a economia local, mas outrora o sal e a apanha
de ostras faziam igualmente parte do dia-a-dia das
populações do Sado. Aliás, todas as potencialidades que
a região oferece levaram a que fosse ocupada desde o
Neolítico, como comprovam os vários vestígios
arqueológicos aqui encontrados.
Os campos de arroz são uma das imagens-símbolo
das terras do sado. Terrenos alagados onde, ao
longo de todo o ano, esta planta vai ganhando forma,
pacientemente, até à chegada da queima do restolho no
final de Setembro, que se prolonga por dias
consecutivos. Ao anoitecer, a paisagem pinta-se de tons
laranja e vermelho, com as chamas a alcançar o
horizonte.
Quilómetros de dunas a perder de vista
com enormes extensões de pinhal (e nenhuma construção) e
um mar magnífico constituem um cenário idílico que
poucos países europeus se podem gabar de possuir.
Portugal pode orgulhar-se, por enquanto, de possuir
paisagens naturais únicas, embora, para manter intacta
esta surpreendente faixa litoral, seja urgente torná-la
numa das zonas mais protegidas na reserva, com acesso
pedonal limitado.
Construções típicas da região podem ser
observadas em diversos locais da reserva, com especial
incidência para a Carrasqueira. Construídas em materiais
como a madeira, o adobe e o caniço, estas cabanas eram
usadas como habitação e armazém para pescadores e
agricultores. Hoje em dia, algumas foram recuperadas
para utilização turística.
Um casal de cegonhas-brancas alimenta-se no seu
local predilecto, os extensos arrozais de possanco.
Apesar de se tratar de uma espécie migradora, nos
últimos anos, devido à melhoria das condições
climatéricas, tem preferido permanecer por Portugal todo
o ano, tornando-se uma presença assídua na Reserva
Natural do Estuário do Sado. As cegonhas são conhecidas
pelos seus ninhos nas torres das igrejas, no alto dos
pinheiros e nos pontos altos em geral. Normalmente
silenciosas, o ruído que emitem batendo o bico é um
ritual de exibição pré-nupcial.
Percorrendo o estuário do sado somos
surpreendidos por convidativas manchas de pinheiros
(manso e bravo), que quase nos obrigam a desvendar o seu
interior. Aí, os líquenes e toda a vegetação dunar
parecem ganhar “vida” própria, formando um fofo manto
verde, ao som do canto das aves e do silvo do mar.
Os habitantes da aldeia da carrasqueira, onde
existe um importante porto de pesca palafítico,
ocupam o tempo entre o amanho da terra e a faina do mar.
Esta é uma das actividades tradicionais das populações
estuarinas, já que esta zona (como todos os estuários de
forma geral) desempenha um papel fundamental como local
de crescimento e reprodução de inúmeras espécies de
peixes, moluscos e crustáceos.
A par da população sedentária de golfinhos
existente no sado, os flamingos são uma das
imagens de marca deste estuário, sobretudo durante os
meses de Outono e Inverno. No total, cerca 260 espécies
de animais distribuídas por cerca de 23 000 hectares
demonstram a enorme biodiversidade que esta zona húmida
possui.
A diversa vegetação dunar que encontramos na
reserva botânica das dunas de tróia assume um
papel extremamente importante na fixação das areias,
razão pela qual se torna imprescindível a sua
conservação. Algumas espécies são endémicas do nosso
país, como é o caso do tomilho carnudo, mas merecem
especial destaque o cardo-marítimo, o estorno, os
cordeiros do mar e o cravo das areias.
Com o despertar da Primavera, nada melhor do que
percorrer algumas das mais belas praias da costa azul,
de difícil acesso e quase sempre desertas (pelo emnos
antes da chegada do Verão). Não vai ser fácil resistir a
um convite para o primeiro mergulho do ano, com a Serra
da Arrábida no horizonte. Depois de um passeio pelas
lagoas calmas e pelos vastos pinhais da Reserva Natural,
uma tarde passada ao Sol é o culminar ideal para um
fim-de-semana de descanso absoluto. Para mais tarde fica
uma visita a um restaurante para comer peixe fresco e
marisco.
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Como ir
A Reserva Natural do Estuário do Sado
localiza-se no distrito de Setúbal, abrangendo
parte do litoral do Alto Alentejo e da região de
Lisboa e Vale do Tejo.
Para lá chegar existem várias alternativas,
nomeadamente seguindo pela A2 até Setúbal, onde
pode apanhar um ferryboat até Tróia.
De Lisboa a Setúbal são cerca de 45 km.
Informações
úteis
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Qualquer época do ano é boa para visitar a
Reserva Natural do Estuário do Sado. Durante os
meses de Primavera e Verão pode desfrutar das
magníficas (e muitas vezes ainda desertas)
praias que existem nestas paragens, nomeadamente
as praias da Comporta, do Carvalhal e do Pego.
Para a observação de aves, os meses de Outono e
de Inverno são os mais aconselhados, devido à
enorme afluência de aves migradoras,
provenientes, sobretudo, do Norte da Europa.
A utilização de binóculos e a ajuda de guias de
campo (de fauna e flora) permitir-lhe-ão
observar e identificar com maior facilidade
algumas das espécies do parque, sobretudo aves.
Lembre-se que as áreas de sapal estão sujeitas à
variação das marés.
Vale a pena assistir à Procissão de Nossa
Senhora do Rosário, que se realiza no mês de
Agosto, quando inúmeros barcos de pesca
ornamentados se reúnem na Caldeira para depois
partirem em procissão rumo ao extremo da
península, passando em frente ao Hospital do
Outão para, finalmente, desembarcarem com em
Setúbal.
Percursos
pedestres
No interior da Reserva Natural do Estuário do
Sado existem três percursos pedestres que o
visitante pode realizar, aconselhando-se
previamente junto da sede da reserva.
1. Percurso Gambia – Tem início
na povoação da Gambia e conta com uma extensão
de 6 km e uma duração de 1h00; Grau de
dificuldade: fácil; Interesse: antigo porto
ligado à ostreicultura, é um observatório de
aves e tem vista sobre o sapal e o pequeno posto
de pesca artesanal.
2. Percurso Mourisca – Tem
início no Moinho de Maré e conta com uma
extensão de 2 km e uma duração de 30 minutos;
Grau de dificuldade: fácil; Interesse: porto de
pesca artesanal (palafita), antigas salinas,
sapal, observação de aves (em especial no Outono
e no Inverno), barcos típicos do rio Sado.
3. Percurso Mitrena – Tem
início na Península da Mitrena e uma extensão de
9 km
Duração: 1h30 minutos; Grau de dificuldade:
médio; Interesse: vista sobre o Rio Sado e os
sapais, área florestal e observação de aves.
Poderá ainda efectuar visitas ao Estuário do
Sado destinadas à observação dos golfinhos (roaz)
do Sado (mínimo 20 pessoas). Entre as empresas
que efectuam estas viagens, poderá contactar o
Projecto Delfim – Centro Português de Estudo dos
Mamíferos Marinhos (Tel. 21 465 86 42; Fax: 21
465 86 49;
projectodelfim@apoiologico.pt;
www.projectodelfim.pt)
Para
mais informações
Sede da Reserva Natural do Estuário do Sado,
Praça da República, 2900-587 Setúbal, Tel. 265
541140; Fax: 265 541 155; Mais informações em:
www.icn.pt
Turismo da Costa Azul, tel. 265 539 120,
www.costa-azul.rts.pt |
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