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foto região turismo Costa Azul

 

    PERCURSOS: percurso 1 - De Tróia à Carrasqueira


Percurso 2: Estuário do Sado
Vida selvagem em abundância, praias desertas a perder de vista, vestígios arqueológicos, bons restaurantes... Pode encontrar tudo isto e muito mais no Estuário do Sado, a terceira zona húmida mais importante do País. Resistente ao betão, esta região possui grandes valores naturais como as vastas áreas de sapal, as dunas de Tróia e as inúmeras espécies de flora e fauna. Motivos que justificam em pleno uma homenagem à Reserva Natural do Estuário do Sado
Textos e fotos de João Nunes da Silva
- Rotas & Destinos
Maio de 2004

 
 

A maioria das actividades tradicionais gira em torno dos recursos que o estuário oferece. Actualmente, a pesca, a aquacultura e a orizicultura dominam a economia local, mas outrora o sal e a apanha de ostras faziam igualmente parte do dia-a-dia das populações do Sado. Aliás, todas as potencialidades que a região oferece levaram a que fosse ocupada desde o Neolítico, como comprovam os vários vestígios arqueológicos aqui encontrados.

 

 

 

Os campos de arroz são uma das imagens-símbolo das terras do sado. Terrenos alagados onde, ao longo de todo o ano, esta planta vai ganhando forma, pacientemente, até à chegada da queima do restolho no final de Setembro, que se prolonga por dias consecutivos. Ao anoitecer, a paisagem pinta-se de tons laranja e vermelho, com as chamas a alcançar o horizonte.

 

 

Quilómetros de dunas a perder de vista com enormes extensões de pinhal (e nenhuma construção) e um mar magnífico constituem um cenário idílico que poucos países europeus se podem gabar de possuir. Portugal pode orgulhar-se, por enquanto, de possuir paisagens naturais únicas, embora, para manter intacta esta surpreendente faixa litoral, seja urgente torná-la numa das zonas mais protegidas na reserva, com acesso pedonal limitado.

 

 

Construções típicas da região podem ser observadas em diversos locais da reserva, com especial incidência para a Carrasqueira. Construídas em materiais como a madeira, o adobe e o caniço, estas cabanas eram usadas como habitação e armazém para pescadores e agricultores. Hoje em dia, algumas foram recuperadas para utilização turística.

 

 

Um casal de cegonhas-brancas alimenta-se no seu local predilecto, os extensos arrozais de possanco. Apesar de se tratar de uma espécie migradora, nos últimos anos, devido à melhoria das condições climatéricas, tem preferido permanecer por Portugal todo o ano, tornando-se uma presença assídua na Reserva Natural do Estuário do Sado. As cegonhas são conhecidas pelos seus ninhos nas torres das igrejas, no alto dos pinheiros e nos pontos altos em geral. Normalmente silenciosas, o ruído que emitem batendo o bico é um ritual de exibição pré-nupcial.

 

 

Percorrendo o estuário do sado somos surpreendidos por convidativas manchas de pinheiros (manso e bravo), que quase nos obrigam a desvendar o seu interior. Aí, os líquenes e toda a vegetação dunar parecem ganhar “vida” própria, formando um fofo manto verde, ao som do canto das aves e do silvo do mar.

 

 

Os habitantes da aldeia da carrasqueira, onde existe um importante porto de pesca palafítico, ocupam o tempo entre o amanho da terra e a faina do mar. Esta é uma das actividades tradicionais das populações estuarinas, já que esta zona (como todos os estuários de forma geral) desempenha um papel fundamental como local de crescimento e reprodução de inúmeras espécies de peixes, moluscos e crustáceos.

 

 

A par da população sedentária de golfinhos existente no sado, os flamingos são uma das imagens de marca deste estuário, sobretudo durante os meses de Outono e Inverno. No total, cerca 260 espécies de animais distribuídas por cerca de 23 000 hectares demonstram a enorme biodiversidade que esta zona húmida possui.

 

 

A diversa vegetação dunar que encontramos na reserva botânica das dunas de tróia assume um papel extremamente importante na fixação das areias, razão pela qual se torna imprescindível a sua conservação. Algumas espécies são endémicas do nosso país, como é o caso do tomilho carnudo, mas merecem especial destaque o cardo-marítimo, o estorno, os cordeiros do mar e o cravo das areias.

 

 

Com o despertar da Primavera, nada melhor do que percorrer algumas das mais belas praias da costa azul, de difícil acesso e quase sempre desertas (pelo emnos antes da chegada do Verão). Não vai ser fácil resistir a um convite para o primeiro mergulho do ano, com a Serra da Arrábida no horizonte. Depois de um passeio pelas lagoas calmas e pelos vastos pinhais da Reserva Natural, uma tarde passada ao Sol é o culminar ideal para um fim-de-semana de descanso absoluto. Para mais tarde fica uma visita a um restaurante para comer peixe fresco e marisco.
 


Como ir
A Reserva Natural do Estuário do Sado localiza-se no distrito de Setúbal, abrangendo parte do litoral do Alto Alentejo e da região de Lisboa e Vale do Tejo.
Para lá chegar existem várias alternativas, nomeadamente seguindo pela A2 até Setúbal, onde pode apanhar um ferryboat até Tróia.
De Lisboa a Setúbal são cerca de 45 km.

 Informações úteis

Qualquer época do ano é boa para visitar a Reserva Natural do Estuário do Sado. Durante os meses de Primavera e Verão pode desfrutar das magníficas (e muitas vezes ainda desertas) praias que existem nestas paragens, nomeadamente as praias da Comporta, do Carvalhal e do Pego.
Para a observação de aves, os meses de Outono e de Inverno são os mais aconselhados, devido à enorme afluência de aves migradoras, provenientes, sobretudo, do Norte da Europa.
A utilização de binóculos e a ajuda de guias de campo (de fauna e flora) permitir-lhe-ão observar e identificar com maior facilidade algumas das espécies do parque, sobretudo aves. Lembre-se que as áreas de sapal estão sujeitas à variação das marés.
Vale a pena assistir à Procissão de Nossa Senhora do Rosário, que se realiza no mês de Agosto, quando inúmeros barcos de pesca ornamentados se reúnem na Caldeira para depois partirem em procissão rumo ao extremo da península, passando em frente ao Hospital do Outão para, finalmente, desembarcarem com em Setúbal.

 Percursos pedestres
No interior da Reserva Natural do Estuário do Sado existem três percursos pedestres que o visitante pode realizar, aconselhando-se previamente junto da sede da reserva.
1. Percurso Gambia – Tem início na povoação da Gambia e conta com uma extensão de 6 km e uma duração de 1h00; Grau de dificuldade: fácil; Interesse: antigo porto ligado à ostreicultura, é um observatório de aves e tem vista sobre o sapal e o pequeno posto de pesca artesanal.
2. Percurso Mourisca – Tem início no Moinho de Maré e conta com uma extensão de 2 km e uma duração de 30 minutos; Grau de dificuldade: fácil; Interesse: porto de pesca artesanal (palafita), antigas salinas, sapal, observação de aves (em especial no Outono e no Inverno), barcos típicos do rio Sado.
3. Percurso Mitrena – Tem início na Península da Mitrena e uma extensão de 9 km
Duração: 1h30 minutos; Grau de dificuldade: médio; Interesse: vista sobre o Rio Sado e os sapais, área florestal e observação de aves. Poderá ainda efectuar visitas ao Estuário do Sado destinadas à observação dos golfinhos (roaz) do Sado (mínimo 20 pessoas). Entre as empresas que efectuam estas viagens, poderá contactar o Projecto Delfim – Centro Português de Estudo dos Mamíferos Marinhos (Tel. 21 465 86 42; Fax: 21 465 86 49; projectodelfim@apoiologico.pt; www.projectodelfim.pt)

 
 
 Para mais informações
Sede da Reserva Natural do Estuário do Sado, Praça da República, 2900-587 Setúbal, Tel. 265 541140; Fax: 265 541 155; Mais informações em: www.icn.pt
Turismo da Costa Azul, tel. 265 539 120, www.costa-azul.rts.pt

 
   

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