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Golfinho-Roaz, o
golfinho do estuário do Sado:
Golfinho-Roaz, o golfinho do estuário do Sado:
Os golfinhos que encontramos no
estuário do Sado, pelas águas da Arrábida ou pela costa da
Galé, pertencem a uma espécie que ocorre em quase todos os
mares do mundo. É o golfinho-roaz, roaz ou roaz-corvineiro
e é o mais típico dos golfinhos, aquele que habitualmente
se encontra nos jardins zoológicos ou que aparece na
televisão.
É uma espécie que nasce com 90-130
cm de comprimento e os adultos podem atingir os 4 metros.
Atingem a maturidade sexual a
partir dos 7 anos, o período de gestação é de um ano e a
cria alimenta-se do leite da mãe até aos 18 meses.
Só dois ou três anos depois de
ter uma cria é que as fêmeas estão aptas a ter outra.
O golfinho-roaz pode ser encontrado
no oceano, mas geralmente habita águas costeiras em locais
como os estuários. O estuário do Sado alberga uma
população de golfinhos-roazes com cerca de 40 indivíduos,
a única população de golfinhos residente em Portugal.
Pensa-se que os indivíduos que a constitutem fazem parte
da mesma população que visitava o estuário do Tejo.
Desde 1984 que estes golfinhos têm
sido o objecto de estudo de vários cientistas. No entanto,
uma vez que são animais de estrutura social complexa e que
passam 90% do seu tempo debaixo de água é difícil tirar
grandes conclusões em poucos anos de estudo.
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Comportamento dos golfinhos do Sado:
O comportamento dos golfinhos do
Sado assemelha-se ao dos outros golfinhos-roazes, mas
também possui caracteríticas próprias. Assim, se os
avistarmos podemos observá-los em deslocação, a comer, em
interacções sociais ou, mais raramente a descansarem.
-Alimentação à superfície:
os golfinhos exibem muita agitação à superfície de água e
muitas vezes executam belas sequências de saltos; muitas
vezes conseguem ver-se presas à superfície como, por
exemplo taínhas. Também se podem alimentar no fundo de
presas como o chôco ou o linguado, e nesse caso o que se
consegue observar são mergulhos de duração prolongada;
-Alimentação no fundo:
Podemos observar os animais dispersos fazendo mergulhos
relativamente longos. Não existe agitação à superfície.
este é o comportamento mais frequente no estuário do sado,
já que a maior parte das suas presas possuem hábitos
bentónicos (chôco, linguado, taínha, etc.);
-Socialização: como o nome
indica é nestes momentos que os animais levam a cabo as
suas interacções sociais. Estas ocasiões são muito
curiosas e podem observar-se bonitos saltos coordenados
entre vários animais e contacto físico entre eles;
-Repouso: quando os
golfinhos dormem ficam muito quietos à superfície. Para se
manterem atentos, descansam metade do cérebro de cada vez;
-Tail-slap (golpe de cauda):
quando os golfinhos se zangam batem com a cauda na água
com muita força como forma de protesto. Por vezes este
golpe pode também servir para atordoar os peixes e assim
ser mais fácil capturá-los.
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Identificação dos golfinhos do Sado:
Os golfinhos aparentemente são
todos iguais. Como distingui-los? A barbatana dorsal de um
golfinho é como uma impressão digital humana- todas são
diferentes e muitas vezes fáceis de distinguir. Outras,
com menos marcas têm de ser fotografadas para
posteriormente serem analisadas (a este processo dá-se o
nome de fotoidentificação). É assim que se sabe
quantos golfinhos existem no Sado.
Também os machos e as fêmeas se
confundem. Só através das fendas genitais que possuem no
ventre se podem diferenciar. No Sado, como tal não é
possível de observar, são consideradas fêmeas os animais
que acompanham as crias.

foto Vertigem Azul
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Perigos
para os golfinhos do Sado:
O rio Sado é uma zona altamente
intervencionada pelas actividades humanas. A poluição
resulta não só de toda a indústria que lá existe, mas
também das minas, da agricultura, da intensa actividade
portuária e dos esgotos urbanos. Existe uma Reserva
Natural na zona mais a montante do estuário, mas que não
engloba as zonas onde os golfinhos passam a maior parte do
seu tempo.
Os golfinhos são mais fáceis de
encontrar ao longo da costa de Tróia, no canal menos
poluído e com maior circulação de águas. Mas tal não quer
dizer que estes animais não corram perigo, pois as águas
acabam sempre por se misturarem e nelas existem
substâncias muito nocivas como os pesticidas e os metais
pesados. Estas substâncias possuem uma capacidade de se
acumularem ao longo da cadeia trófica, tornando-se mais
prejudiciais para os animais de topo da cadeia alimentar,
como são os golfinhos-roazes. Quem sofre ainda mais são as
crias que, indefesas, bebem o leite materno contaminado,
em cuja gordura se fixam estes poluentes.
Outro problema dos golfinhos do
Sado são os barcos. Desde os grandes navios, rebocadores,
traineiras, ferry-boats que fazem a ligação permanente
Tróia-Setúbal, até aos barcos de lazer e motas-de-água, os
golfinhos estão sujeitos diariamente a um intenso tráfego
marítimo, causador também de um grande ruído sub-aquático
constante.
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O estuário
do Sado:
No que respeita à conservação da
natureza, os estuários têm vindo cada vez mais a ser
considerados sistemas de grande importância, representando
para a Estratégia Mundial da Conservação, biótopos
essenciais aos processos ecológicos que suportam a vida e
implicitamente de vital importância para a manutenção dos
equilíbrios ecológicos da biosfera. Possuem no geral, uma
produtividade elevada que origina cadeias alimentares
diversificadas e abundantes, que desempenham um papel
determinante na sobrevivência das populações.
O estuário do Sado, situado na
península de Setúbal a 30º 04’ N, 09º 24’ W, é uma das
zonas húmidas mais importantes de Portugal, com grande
valor ambiental e sócio-económico. Em 1980 foi criada a
Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES) que engloba a
zona mais a montante do estuário.
O estuário do Sado subdivide-se em
três zonas distintas no que respeita à circulação das
águas: o canal sul, com uma profundidade média de 20m e
correntes intensas, que corresponde à zona preferencial de
trocas de água entre a zona marinha e a parte interior do
estuário; o canal norte, com uma profundidade média de
10m, cujas correntes são fracas e no sentido montante e
que além disso, recebe a maior parte das descargas de
efluentes urbanos e industriais; e ainda uma zona
intermédia, que corresponde à zona de baixios.
O rio Sado é um habitat altamente
intervencionado pelas actividades humanas, que colocam em
risco o seu equilíbrio ecológico. Para tal contribuem
diversas fontes de poluição, nomeadamente os efluentes
urbanos e industriais, a actividade agrícola e as minas de
pirites, que apesar de desactivadas, contêm nas suas águas
de escorrência uma composição semelhante à dos efluentes
das minas em actividade. A nível dos efluentes industriais
os poluentes mais importantes são os TBT´s, os PCB’s
(especialmente no canal norte), o DDT e os metais pesados,
que têm origem nas diversas industrias locais (química,
cimenteira, construção naval e actividade portuária).
Cargas consideráveis de matéria orgânica, aumento de
concentração de fosfatos, nitratos, amónia e contaminação
por bactérias e vírus, são as consequências dos efluentes
urbanos, de instalações pecuárias, curtumes, etc. As
actividades agrícolas, em particular as culturas
intensivas de tomate e principalmente de arroz, originam
descargas consideráveis de fertilizantes e pesticidas.
A actividade piscatória no rio Sado
é muito intensa sendo as redes de tresmalho (solheira
e branqueira) as artes mais utilizadas, embora
também se usem frequentemente artes ilegais como o arrasto
bentónico. A mais utilizada é a solheira que é practicada
durante todo o ano, mas possui um período de maior
intensidade correspondente à época de maior abundância de
choco (Sepia officinalis) e de linguado (Solea
vulgaris), espécies que representam practicamente a
totalidade das capturas.
As espécies mais representativas da
ictiofauna pelágica são o sargo-safia (Diplodus
vulgaris), a choupa (Spondyliosoma cantharus) e
a taínha-garrento (Liza aurata), seguidas do sargo
(Diplodus sargus), do salmonete (Mullus
surmuletus) e do robalo (Dicenthrarchus labrax).
Da ictiofauna bentónica destacam-se o charroco (Halobatrachus
didactylus) e o linguado, e ainda o biqueirão (Engraulis
encrasicolus), o alcorraz (Diplodus annularis)
e o caboz (Gobius niger). Segundo o Livro Vermelho
dos Vertebrados de Portugal (1993), muitas destas espécies
encontram-se comercialmente ameaçadas. As taínhas no geral
(Mugilidae) e a savelha (Alosa fallax) são
ainda espécies que merecem destaque pela sua importância
na dieta dos golfinhos-roazes. Também representados no
estuário do Sado e de grande importância na alimentação
dos golfinhos-roazes estão os cefalópodes que são, por
ordem decrescente de importância, o choco, o polvo (Octopus
vulgaris) e a lula (Loligo vulgaris).
O conhecimento da salubridade do
rio Sado é limitado já que a maior parte dos estudos
existentes sobre a qualidade das águas e a fauna deste, se
encontram desactualizados. No entanto, em resultado das
actividades humanas dos últimos anos, é notável o
crescente estado de deterioração do estuário.
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